sábado, 2 de dezembro de 2017

INDOOR (Crônica)

Não sei se é de hoje ou de muito antes o fato de as portas dos banheiros, no geral de espaços públicos - mais precisamente de escolas ou universidades públicas -, assumirem a função extra de servirem como recurso para exteriorizar pensamentos escritos à caneta. Mas pera lá, pensando assim, à primeira vista, nos parece que a ação de disseminar ideias através das portas de tais locais se configura em um ato totalmente despretensioso. Não é bem assim. O problema relacionado a isso surge justamente porque qualquer um pode expressar qualquer ideia. A verdade é que elas servem, teoricamente, como murais democráticos. Um fato curioso é que, ao utilizarmos um banheiro com as portas “carregadas” de ideias, ao lermos tais ideias, involuntariamente, tentamos traçar o perfil psicológico do enunciador. Mas não nos enganemos, pois se fazemos isso é por pura curiosidade de tentar desvendar quem estaria por trás de tais ideias, do que por qualquer outra intenção.


Se nos interessamos pelas frases contidas ali, podemos separá-las em categorias gerais, sendo que as mais usais, penso eu, são: “DESABAFE AQUI!”; “PREGUE A PALAVRA DE DEUS AQUI!”; “EXPONHA QUALQUER TIPO DE INTOLERÂNCIA AQUI!”; “COMPARTILHE SUAS IDEIAS MACHISTAS AQUI!”... E categorias outras que são menos precisas. Desse modo, não penso que seja loucura imaginar um tempo futuro não tão distante em que, ao entramos nesses espaços - assim como já se observa em iguais espaços de locais privados -, nos deparemos com a antiga “novidade” publicitária: “ANUNCIE AQUI!”. E o mundo finalmente será apresentado mais diretamente - mas nem por isso claramente - ao estrangeirismo indoor, ou à expressão similar, imagino. Até porque: a cultura cria, o mercado se apropria.
Porém, voltando à ideia primeira, não devemos esquecer ainda dos que, não satisfeitos com a “plataforma” porta, estendem suas ideias escritas às paredes dos banheiros. Mas paremos aqui, porque sinto que isso é problematização para outro problematizador. Portanto: CHEGA!

Rosilaine Costa – Graduanda em Letras Vernáculas com uma Língua Estrangeira – Turma 3


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