sábado, 2 de dezembro de 2017

O INVERNO EM SALVADOR (Crônica)

            
          Um dia desses conversando com uma amiga ao telefone, ela me disse:
- Estou com um frio danado! Tremendo feito vara-verde!
Num um breve silêncio, pensei: “será que estamos na mesma cidade”? Até que gosto de temperaturas baixas, mas não consigo sentir  esse frio intenso na cidade onde vivo.
Minha amiga continuou:
- E você, como está nesse frio todo?
Ela estava tão atordoada com o frio que não parrava de falar:
- Menina, eu estou que não aguento! Nunca vi um frio desse em Salvador. Ouço até o vento cantar de minha janela – disse ela.
Respondi a minha amiga que, por enquanto, não estava sentido
frio. Aproveitei e fui logo me justificando para não parecer estranha. Disse a ela que depois de ganhar uns quilinhos deixei de sentir frio.
No dia seguinte ligou-me outra amiga:
- Oi, amiga! Muita chuva e frio no seu bairro? Aqui está demais! Estou usando duas blusas, meias e toda enrolada no edredrom.
- Nem tanto. Aqui tem chovido, mas sem frio - respondi.
- Ah! Sou muito friorenta! Basta chover que sinto logo frio.
- Você não está sentindo frio? Todos têm reclamado desse inverno.
Mais uma vez me justifiquei dizendo que ao engordar o frio ganhou pernas, foi embora.
Depois da conversa concluída, fiquei refletindo se não estou mesmo caminhando para o climatério. Se calhar é isso! Mas, especulações à parte.
Inverno é sinônimo de muita roupa, e esses dias pude constatar. Fui ao shopping pagar uma conta e quase me esbarro numa uma moça toda equipada com sobretudo, cachecol e botas over the knee. Tomei um susto! O frio chegou a Salvador e eu não percebi.
O inverno em Salvador é assim, especial! Nos permite usufruir dos prazeres do verão: caminhar na orla atlântica, saborear um acarajé ao ar livre, no Rio Vermelho, usar roupas leves e até mesmo pegar uma prainha. Para os que gostam de quebrar pernas e bocas de caranguejo até que dá. Sempre que passo próximo a um restaurante do ramo, perto de casa, percebo que continua cheio mesmo no inverno....
Enfim, o que me safa no inverno soteropolitano é o ar condicionado.



Tessa Maria S. da S. Pisconti - Graduanda de Letras, Turma 3

Um comentário:

  1. Descontraída e divertida reproduz muito bem o cotidiano na capital baiana durante o "inverno". Se encaixa na crônica humorística.

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